Com algum atraso, falo das Olimpíadas de Inverno. Acabaram neste último domingo, com um jogão de Hockey. Belo jogos, belos mesmo.
Estou um pouco triste pelo fim dos jogos de Vancouver. Das poucas alegrias verdadeiras que tenho, uma delas é assistir a eventos esportivos como Copas e Olimpíadas. Eu fico feliz só de saber que haverá algum jogo bacana para assistir no momento em que eu chegar em casa. A raridade desse eventos pode contribuir para esse sentimento, mas também contribui para a tristeza que acontece no hiato entre eles.
Há muito tempo, quando eu ainda fazia minha graduação e contava os trocados no bolso até o final do mês – incrível sentir saudades desse tempo – eu saía da PUC numa quarta-feira, arrasado por alguma frustração comum durante um curso de ciência da computação. Eu esperava pelo ônibus quando me lembrei de que naquele dia haveria jogo da Libertadores na TV. E eu tinha Ruffles e Skol geladinha em casa. É pouco, muito pouco. Mas eu senti uma alegria tão grande naquele momento, um conforto, que toda a frustração anterior simplesmente sumiram. Eu ia pra casa, tomar cerveja gelada, comer batata-frita e assistir a um bom futebol na TV. Nem me lembro dos times. Sou o tipo de pessoa que gosta mais do esporte em si que do time do coração.
Volto a Vancouver. Ok, houve tragédia no luge, mas os jogos foram demais. A pista é rápida, muito rápida, e absolutamente desafiadora. Acompanhei todas as descidas, do luge, skeleton e bobsled. Muito legal ver os tempos caindo um atrás do outro, acidentes não fatais e tudo o mais.
Os jogos de hockey foram espetaculares. E eu gosto muito de hockey, desde que me viciei no NHL do Mega Drive. Virei fã do Mario Lemieux e do Pittsburgh Penguins, do Wayne Gretzky, no tempo em que eu podia parar a vida para ver jogos da NHL. E reviver isso em jogos de nível olímpico é muito legal. E o mundo politicamente correto tinha que aparecer. As canadenses moeram todos os times que apareceram no caminho e foram repreendidas por comemorarem a vitória tomando uns gorós e fumando charutos. Façam-me o favor… mundo chato do cacete! Eu posso, mas os outros não, né? Nessas horas eu queria estar nos anos 70.
Outro momento que gostei muito foi a patinação de velocidade. Palmas para a Holanda. Todas as provas foram emocionantes, todas. Ver atletas indo à exaustão, claramente em seus limites, e voce pensa: Cara, agora acabou, não baixam esse tempo! E vêm alguns monstros e derrubam o tempo sem se esgotarem tanto.
Meu texto não traz números, análises profundas, nada disso. Somente expressa de forma rasa o quanto eu me divirto com esse tipo de evento esportivo, e o quanto fico triste quando eles acabam. Até hoje me emociono assistindo a jogos da copa de 94, pra se ter idéia. E, bom, pelo menos, esse ano, ainda vai ter a copa. É um bom alento. E, no final das contas, todo mundo gostou de ver o beijo das suecas na final do curling. Pro inferno, politicamente corretos. E curtam os jogos.

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