Nunca fomos atletas. Nunca controlamos os horários. Nunca controlamos a alimentação. Nunca controlamos nada.
Tínhamos a vantagem da juventude. O corpo invencível, o estereótipo do super-homem. Não havia lesões que durassem. Não havia dor persistente. Não havia compromisso com o resultado.
Havia a rotina – deliciosa – que nos levava aos resultados. O cenário adequado, a vantagem do entusiasmo. Não havia necessidade de meta. Éramos nivelados. Todos iguais, tão desiguais. Já cantaram isso por aí.
Aos 27 anos, após uma reunião de trabalho com uma das profissionais menos profissionais e mais imbecis que já vi, minha pressão bateu no teto. Passei mal e fui internado por algumas horas. Passei a consultar um cardiologista. Ele foi enfático: você ainda é jovem, mas a época do super-homem terminou.
Dois meses desde a meta traçada. Falta um mês. Ou um e meio, dependendo da data. Uma manhã por semana, é o que consegui. Dói quando não tenho essa manhã. Mais, preciso de mais, tal e qual uma adicção. Está provado, já propagandearam isso por aí.
Dores infinitas, lesões antigas, outras dores – e o coração? E a pressão? Aos 32 anos, preciso me preocupar com isso? Sim, você tem um filho e uma esposa que dependem de você – e não há milagre. No pain, no gain, já disseram isso por aí.
Reclamo de falta de tempo. Mas tempo a gente arruma. Li dois livros do Amyr Klink. Se queria tempo para o que gostava, que acordasse cedo. Que se disciplinasse. Mas, como, com um filho pequeno e uma esposa exausta? Sem desculpas. Discipline-se. Emagreça. Treine.
Nunca fomos atletas. O condicionamento vinha do único veículo disponível naquela idade: o prazer, o lazer e a verve utilitária da bicicleta.
Há dois meses comprei minha bike. E fiz uma promessa. Que sofro quando não cumpro. E vou cumprí-la. O problema é o ritmo, o período para isso. Longo, além do desejável. Nunca fomos atletas. Quando eu pedalava com alguns dos melhores amigos que um homem pode ter, não tínhamos o objetivo de competir, sequer de pedalar em ritmo forte nas trilhas. O momento valia tudo. Claro, havia alguma competição. Mas estagnamos no suficiente para cumprir, sem sofrimento, os percursos que conhecíamos. A partir de determinado ponto, não havia evolução.
Eu me toquei disso hoje. Não sei se vou conseguir mudar um estilo que foi o meu topo; e que é o que eu queria desde o início. Um grupo de pedal pode ser forte. Só um se dedica com vontade, o amigo que me incentivou a voltar ao pedal. Eu não consigo acompanhá-lo. E ele é mais velho que eu, merreca mais velho, mas é. Mas eu parei. Engordei. Nunca competi. Ele, sim. Os outros do grupo, uma incógnita. Na dúvida, melhor nivelar por cima. É assim, a vida. Se houver divergência, que você esteja no topo. Eu vou estar. A cada post aqui, é um compromisso público, mesmo que somente comigo. Eu vou estar. Não de volta, como prometi há dois meses. Estar de volta não é mais suficiente. Tenho que estar melhor. Estou prometendo isso por aí.

Forca que vc consegue Matuck, e so vc acostumar e pegar o ritmo, arruma um tempo ai, se vc nao se cuidar ninguem vai fazer isso por vc e depois de morto ja era.
Acredito que em Aguas Claras nao deve ser tao bom de pedalar igual ao Plano, mas pedala nem que seja dentro de casa.
Cuide-se, para que possamos aos 60 anos apostar corridas de bengalas ou de cadeiras de rodas.